Os contos do oboé op.73

Ricardo Matosinhos

Ref. ava171654

Os contos do oboé op.73

Esta peça foi encomendada pela oboísta Courtney Miller e teve como inspiração o mundo da fantasia, sugerindo ao ouvinte contos que ainda não foram inventados, deixando espaço para que seja a sua imaginação a criá-los à medida que vai ouvindo a peça.

A história tem início num estilo medieval, que poderia muito bem ter decorrido no tempo do rei Artur ou algures num local perdido no tempo, mas certamente na floresta (uma vez que oboé significa madeira). De repente (cp. 29/33), algo acontece... mas a história continua… Depois (cp. 35), existe uma pequena cadência de oboé no registo grave, preparando terreno para a surpresa... No compasso 36 surge uma bruxa, uma vez que todas as peças de oboé precisam de uma bruxa, visto que quando os instrumentistas se movimentam parecem, por vezes, estar a mexer uma colher de pau no grande caldeirão da poção mágica. Contudo trata-se de uma valsa, pois apenas estamos a ver o que a malvada bruxa está a preparar. No compasso 63 PERIGO... ela começa a voar e agora cabe aos ouvintes e performers decidir qual o desfecho desta história…

Pelo caminho, no compasso 134, existe uma secção inspirada no kulning, um tipo de canto/chamamento de animais, típico dos países nórdicos. Aqui, alguns efeitos de eco dados pelo pizzicato nas cordas do piano e também pela ressonância das mesmas, bem como outros efeitos percussivos ajudam a criar este ambiente. O tremolo de dedilhações no compasso 165 tem a intenção de transmitir a ideia de um som distante de chocalhos de animais. Cada performer pode criar os seus contos, baseados nestas sugestões porque os sonhos e a imaginação não têm idade. 


Houve 1 execuções recentes desta obra:

Courtney Miller e Alan Huckleberry, direcção de Courtney Miller e Alan Huckleberry
09-02-2017 · 19:30 | Universidade de Iowa Mais informações