Die Forelle, oder ein Traum nach Schubert
de Sérgio Azevedo (1968 - )
Ref. ava080185
violino, viola, violoncelo, piano, contrabaixo
Duração: 9’
Para celebrar Christopher Bochmann, que foi meu professor na ESML e é presentemente meu colega, resolvi escrever uma peça que fosse uma homenagem a vários compositores clássicos, nomeadamente alguns dos que Bochmann mais admira, como Schubert e Mahler. Usei assim o material da canção Die Forelle tal como Schubert o fez no 4º andamento do seu quinteto homónimo, tendo imaginado um conjunto de variações, ou metamorfoses, sobre a canção. São porém variações distantes do sentido mais comum da palavra, a atmosfera da obra é mais próxima de um sonho, durante o qual passam, de maneira aparentemente desordenada, vários estilos e épocas, todos eles rodeando a canção de Schubert de alguma maneira. Uma pequena parodia, no sentido medieval e renascentista do termo, com algum humor presente. Um sonho também premonitório da futura música vienense (que desembocará na atonalidade e no dodecafonismo expressionistas, do qual provém Bochmann e, no fundo, todos nós...), toda ela devedora do pequeno e míope Franz, como, por exemplo, a música de Mahler (De quem cito uma melodia da sua última sinfonia completada, a 9ª). Outros ecos - como o eco do titã Beethoven, que devia ter atormentado o pobre e rejeitado Franz...ou o de Chostakovitch, atormentado pela sombra de Mahler - mais longínquos alguns, imediatamente identificáveis outros, passam por este sonho que, como todos os sonhos, não tem uma direcção definida, nem uma lógica aparente. Mas, tal falta de lógica só é aparente para o consciente, pois o subconsciente continua a encontrar pistas para a sua visão distorcida da realidade. Porém, quem sabe não será essa visão distorcida o mais próximo que conseguimos chegar da verdadeira realidade?