Piccola Sinfonia per Luigi Boccherini
de Sérgio Azevedo (1968 - )
Ref. ava070121
http://www.youtube.com/user/Compositor123#p/u/41/lnEMPdyssrs
Duração: 12'
orquestra (0.2. [+corne-inglês] .0.2./2.0.0.0./cordas)
Andamentos:
I. Allegro molto
II. Minueto derretido ao sol de Madrid (evocação de Dali)
III. Introdução - Allegro vivace
Duração: 12'
Piccola Sinfonia per Luigi Boccherini - Escrevi esta pequena obra em 2005, para celebrar os 200 anos da morte de Luigi Boccherini, um fantástico e injustamente negligenciado compositor, e, ao mesmo tempo, para celebrar o nascimento da Carolina, a primeira filha da minha irmã Cristina, que nasceu em Outubro. Considero que a função social e afectiva da música podem ser ainda uma realidade, uma maneira de falar com o passado e/ou presentear pessoas que me são caras no presente. Boccherini, que viveu grande parte da sua vida (e os anos finais), em Espanha, aqui mesmo ao lado (tal como Scarlatti, Boccherini escapou-se-nos para os nossos vizinhos mais poderosos; o que não teria sido da nossa música se estes dois nomes cá tivessem permanecido?...), escreveu várias sinfonias, e três delas, pelo menos, mereciam honras de repertório. A minha homenagem consistiu unicamente em manter uma traça em três andamentos (embora Boccherini também tenha escrito algumas sinfonias com quatro andamentos), rápido-lento-rápido, em usar uma orquestra reduzida a oboés, fagotes, trompas e cordas, e em escrever num estilo tonal que mistura o ambiente vagamente italo/madrileno do compositor às possibilidades da harmonia moderna do século XX, bem como um certo virtuosismo e "panache" orquestral, característicos de Boccherini. Tal como em outras obras minhas que homenageiam estilos ou compositores (Eine Mozart-Sinfonie, Haydn As I See Him, etc), esta obra usa uma citação directa no andamento central, o célebre Minueto de...Boccherini! O título do andamento, um pouco bizarro, foi inspirado pelo não menos célebre quadro de Salvador Dali, que mostra alguns relógios a derreter ao sol, ou "O Tempo Parado". Nesta obra, de certo modo, e a nível do estilo, o tempo também como que parou, embora uma rápida audição a remeta imediatamente para a nossa época. Por muito audaz que Boccherini tivesse sido, há nesta homenagem demasiadas inflexões que só podem pertencer à contemporaneidade...; Dedico também a peça ao maestro Osvaldo Ferreira, paladino da música portuguesa, que tem dirigido várias obras minhas, e, naturalmente, a esta maravilhosa Orquestra do Algarve, que também já tive o prazer de ouvir a interpretar algumas dessas obras.
© by Sérgio Azevedo 2005