Antero de Quental
de Luiz de Freitas Branco (1890 - 1955)
A inspiração em Antero de Quental – um dos três poetas a quem, segundo Fernando Pessoa «legitimamente compete a designação de mestres»,– serviu de base desde 1932 a um conjunto de obras para voz e piano que é um capítulo fulcral da produção do autor. Depois de Hino à Razão, os Três Sonetos de Antero, escritos entre 1934 e 1941, oferecem a face mais intimista de um universo que atinge cumes metafísicos no ciclo A Ideia, concluído em 1943 e uma das criações mais modernas e profundas de Luís de Freitas Branco, um raro e extraordinário exemplo de transposição musical de conceitos filosóficos. A costela anteriana do compositor teria um epílogo grandioso com um derradeiro (quase mahleriano) regresso ao poema sinfónico, Solemnia Verba (1951).